A Quaresma muda o formato dos dias. As refeições mudam nas sextas-feiras, a semana ganha um ritmo mais quieto, e a família vai se preparando para a Páscoa num compasso que o resto do ano não tem. Quando a criança vive em duas casas, a coisa mais gentil que os adultos podem fazer é carregar esse ritmo juntos, para o período parecer uma observância só e não duas versões concorrentes dela. Com um pouco de planejamento, dá.
Combinem o período antes de ele começar
Uma conversa curta e calma com o outro pai ou mãe antes de a Quaresma começar evita uma dúzia de mensagens tensas durante ela. Se a criança vai jejuar ou abrir mão de alguma coisa, e quanto, é uma decisão dos dois, guiada pela fé de vocês, pela idade da criança e pelo que ela mesma quer. Muitas famílias começam com promessas pequenas e simbólicas, bem antes de se esperar qualquer jejum de verdade. Se você tiver dúvidas sobre jejum e a saúde da criança, o pediatra é quem deve responder.
Quando vocês souberem como o período deve ser, escrevam. Poucas linhas num plano compartilhado cobrem quase tudo:
- Quem acompanha a criança nas sextas-feiras e nas celebrações de cada semana
- Como fica a promessa em dia de escola, e quando não tem problema afrouxar
- Como os horários de dormir mudam nas noites de celebração, e o que continua fixo
- Como a Páscoa vai ser dividida e comemorada
Um acordo simples por escrito, como o Acordo Parental Temporário, que é gratuito, transforma tudo isso em algo que as duas casas podem consultar, para ninguém estar negociando com a celebração já começando.
Sextas-feiras e celebrações nos dias de transição
Os dias de transição merecem mais atenção, porque é neles que o ritmo do período quebra com mais facilidade. Tente não marcar uma transição bem na hora da celebração ou da refeição em família da sexta-feira. Uma criança que passou o dia se preparando para aquele momento deveria estar sentada à mesa, e não sentada no carro. Passar a transição para o começo da tarde, ou para uma hora depois da refeição, mantém o encontro inteiro e sem pressa.
Para a renúncia do dia a dia, a regra mais simples é que a casa onde a criança está cuida dela, com a mesma rotina calma nas duas: lembrar com leveza, fazer junto quando dá, rezar se sua família reza, e seguir o dia. Quanto mais parecidos forem esses dias nas duas casas, mais leve o período fica para uma criança cansada.
Quando uma das casas não pratica
Muitas famílias chegam à Quaresma com uma casa que pratica e outra que não, e isso pode funcionar muito bem. A casa que não pratica não precisa jejuar, nem fingir que jejua. Só precisa ser gentil com o ritmo. Isso quer dizer guardar as opiniões pessoais para si, alimentar a criança normalmente nos dias em que ela não está de jejum, proteger o horário de dormir que as noites de celebração exigem, e perguntar com interesse verdadeiro como foi.
Uma criança nunca deveria sentir que amar uma casa é decepcionar a outra. O respeito silencioso da casa que não pratica é uma das formas mais claras de a criança aprender que as duas casas são lugares seguros para tudo o que ela é.
Se vocês discordam sobre o jejum
Discordar aqui é comum e compreensível. Um dos dois pode achar que a criança está pronta. O outro pode se preocupar com escola, esporte ou sono. Mantenham a conversa sobre esta criança, neste ano, e não sobre a fé ou a criação um do outro. Um período de teste com uma data combinada para rever costuma funcionar melhor do que um sim ou um não fechado, e a mediação familiar, ou uma liderança religiosa de confiança da família, pode ajudar se vocês travarem.
Nosso texto sobre quando vocês discordam na criação oferece um caminho calmo. E se as mensagens entre as casas ficarem ásperas conforme todo mundo cansa, passar por elas pelo Tone Check gratuito antes de enviar ajuda a manter o período tão tranquilo quanto ele deveria ser.
Um período que pode aproximar as duas casas
A Quaresma pede paciência, generosidade e constância, que são exatamente as qualidades que fazem duas casas funcionarem bem. Combinem o plano cedo, deixem as transições longe das celebrações, deixem a casa que não pratica ser respeitosa com carinho, e resolvam a Páscoa antes de os últimos dias chegarem. Façam isso, e a criança vive o período do jeito que ele deve ser sentido. Não dividida entre duas casas, mas sustentada, por inteiro, pelas duas.