O Natal pode continuar cheio de luz para a criança agora que as comemorações acontecem a partir de duas casas. As luzes na porta, o presépio, a roupa nova separada na véspera, a rodada de visitas a parentes, nada disso é cancelado por uma separação. O que muda é a coreografia, não a festa. Com um pouco de planejamento e calor das duas casas, a criança pode ter um Natal que parece inteiro.
Por que os primeiros doem um pouco
O Natal junta todo mundo. Avós, tios e tias, primos chegando em levas, vizinhos passando para comer um pedaço de panetone. É exatamente por isso que o primeiro ou o segundo Natal depois de uma separação pode doer. O que acontecia numa casa agora acontece em duas, e a criança pode se sentir puxada entre elas antes de alguém dizer qualquer coisa.
As crianças não precisam de um Natal perfeito. Precisam de permissão para aproveitar o que têm. Quando as duas casas dão essa permissão com clareza, boa parte da tensão se desfaz sozinha.
Dividam a temporada, não só a manhã
O Natal raramente é um dia só. Tem a ceia da véspera, a troca de presentes na meia-noite e a manhã do dia 25, e depois um trecho de visitas que pode ir até o Ano-Novo. Esse trecho é discretamente útil para pais separados, porque existe festa de sobra para todo mundo.
Um arranjo em que muitas famílias acabam se acomodando: uma das casas fica com a véspera e a manhã, o outro pai ou mãe busca a criança naquela tarde ou no dia seguinte para as visitas aos parentes daquele lado, e as manhãs se revezam a cada ano. Seja qual for a escolha, combinem cedo, escrevam num lugar que os dois enxergam e mantenham a transição curta e calma. Se ainda não há nada por escrito, dá para deixar os dias de festa definidos no construtor de Acordo Parental Temporário gratuito, e há mais sobre dividir as datas especiais de forma equilibrada ao longo dos anos em rotinas para feriados e datas especiais.
Deixem as tradições viverem nas duas casas
Rituais pequenos dizem à criança que a festa, e ela também, pertencem aos dois lugares.
- Uma árvore ou um presépio em cada casa, mesmo que pequenos. Montar junto importa muito mais do que o resultado.
- Roupa nova das duas casas, se as duas quiserem dar. Combinem discretamente para que cada roupa tenha o seu dia.
- Deixe a criança levar um pedaço de panetone ou uns docinhos de uma casa para a outra. Comida que viaja diz que as duas casas estão ligadas, e não fechadas uma para a outra.
- Mande uma foto ou duas depois. Uma foto da criança rindo na outra casa é motivo de alegria.
Nada disso precisa ser explicado à criança como um arranjo. Para ela, deve parecer simplesmente que o Natal acontece em todo lugar por onde ela passa.
Os parentes, e o puxa e empurra entre eles
Visitas significam parentes, e parentes têm opinião. Uma avó pode querer o dia inteiro. Um tio pode fazer perguntas incômodas na mesa da ceia. Dá para receber bem e ainda assim manter o plano, porque o plano existe para a criança, e não para a preferência dos adultos. Há mais sobre conduzir isso com delicadeza em quando a família estendida tem opinião.
Com a criança, a tarefa é mais simples e maior. Fale com carinho das comemorações na outra casa. “Você vai se divertir tanto lá amanhã”, dito com um sorriso de verdade, dá permissão para ela aproveitar sem peso na consciência. Nas festas, as crianças leem o nosso rosto com mais atenção do que em qualquer outra época do ano. Se o seu rosto diz que é seguro amar todo mundo, ela vai acreditar.
As luzes são o que importa
Se a criança passar a manhã na outra casa, a sua vai ficar muito silenciosa, e essa dor é real. Planeje alguma coisa para essas horas em vez de só esperar que passem, e guarde a sua comemoração para quando a criança voltar. Um Natal um dia depois, com alguém genuinamente feliz em vê-la, é um Natal bonito.
O Natal celebra luz e reencontro, e uma criança com duas casas iluminadas, dois presépios e o dobro de panetone não perdeu a festa. Daqui a alguns anos, ela não vai lembrar da divisão exata dos dias. Vai lembrar que o Natal foi caloroso nas duas casas, e que ninguém pediu que ela escolhesse. Isso está bem ao alcance neste ano.